Hoje fui ao médico, e de lá peguei um ônibus para ir à galeria Pagé. Acabei pegando um ônibus que eu não conhecia completamente a rota e tive que descer próximo ao Terminal Princesa Isabel. Mas tudo bem, de lá até chegar aonde eu conhecia e costumo andar eram uns 5 minutos de caminhada.
Logo no começo da caminhada, eu avistei um elemento suspeito vindo em minha direção, com um cobertor sobre o corpo em pleno calor de 30º e com uma cara agressiva. Ia atravessar pro outro lado da avenida, mas na hora pensei: “Porra, para de ser preconceituoso, o cara ta de boa andando pela rua…” Continuei e o sujeito me abordou pedindo um trocado pra comprar comida.
Eu só tinha R$1 e algumas moedinhas que peguei da minha mãe antes de sair nem sei porque, já que não costumo andar com dinheiro. Abaixei a cabeça e comecei a procurar no meu bolso, e o cara falando “To pedindo na moral”. Tava procurando o dinheiro e nem ai para o que ele dizia, mas quando levantei a cabeça, o cara estava quase encostando em mim uma lâmina de faca de um tamanho razoável. Fiquei como cú na mão. E se ele não fica satisfeito só com os menos de R$2 que eu tinha? Ia tentar oferecer meu celular, mas vai saber se ele acreditaria que eu não tinha nada e me matasse?
Tentei não tremer muito, fui entregar o dinheiro pra ele, consegui reparar que ele tinha várias notas no bolso e a mão cheia de moedas de R$1. Entreguei, ele agradeceu, se virou e abordou um senhor que estava passando no momento. Eu deveria ser 42ª vitima dele no dia. Se eu tivesse armado, eu aproveitava pra descarregar tudo no filho da puta. Se tivesse sangue frio, só dava uns tiros nos joelhos e nos ombros pro desgraçado nunca mais roubar. Fico imaginando o prazer que o promotor sentiu ao matar o motoqueiro que foi assaltá-lo no semáforo. Aliás, este é o dever moral de toda vitima de assalto, dar um jeito de ser a última.
***
Podemos tirar 3 lições importantes disso:
1 - Não se iluda pensando que você vale alguma coisa. Você não vale nem R$2.
Não acredita? Talvez porque nunca se ouviu falar de alguém assaltado por japoneses aqui no Brasil. A verdadeira resposta é exatamente a que você pensou. Quando algo se torna um fato comprovado estatisticamente, virando praticamente uma constante, uma rotina, um comportamento, ele não deveria deixar de ser tratado como um preconceito e passar a ser tratado com um fato social, um problema a ser resolvido? Em 11 casos, todos foram cometidos pela mesma etnia. Gostaria de ter acesso aos números oficiais, mas provavelmente a patrulha do politicamente correto não permitiria este tipo de registro.
Pelo sim pelo não, passarei a atravessar a rua sempre que ver um destes vindo em minha direção. Prefiro ser um preconceituoso vivo do que um politicamente correto hipócrita morto.


