Isto que vou contar agora vai parecer lorota minha, vai parecer que estou tirando uma e inventando história, mas aconteceu de verdade por volta de 1h atrás. Infelizmente, tudo tem sua primeira vez.
Voltando do trabalho, sentado na lotação próximo da porta de saída com apenas outra pessoa um pouco mais ao fundo, me entra um sujeito na lotação vazia e se senta ao meu lado, ao sentar me empurrando contra a parede. Já percebi que lá vinha merda pela frente. O cara era branco queimado, com cara de trombadinha filho da puta, falava com a boca torta típica de malandro e com linguajar característico. Começou a falar comigo:
- Ai mano! Eu morava aqui nestas quebrada, acho que você se lembra de mim e tal, não lembra não?
Olhei pra cara dele durante uns 10 segundos. Já sabia que iria ser assaltado, estava tentando me acalmar, pensar no que fazer e tal, depois de um tempo consegui falar de novo:
- Lembro não cara…
- Então cara, é que faz tempo que sai daqui, agora eu to morando no Jardim Ângela e é o seguinte, eu to precisando de um favor teu, preciso que vc me arranja 5 conto.
- Mano, eu to sem grana, o que eu tinha comprei esta mistura…
Fui interrompido por ele, num tom de voz elevado, balançando algo na cintura.
- Eu to ligado que você tem grana e to com um oitão aqui, é melhor você colaborar comigo!
- Cara, você vai me deixar duro…
Eu não iria me arriscar a saber se ele realmente estava com um revolver ou com uma faca ou seja que porra fosse, peguei minha carteira com medo de ele tomá-la da minha mão, não pela grana que tinha só R$10 mas pelos documentos e tal, abri a parte que fica o dinheiro e ele já esticou o pescoção, viu os R$10 e falou:
- Dá estes 10 conto ai e tá suave mano!
Após entregar a grana, como se nada tivesse acontecido, ele comentou algo sobre o Corinthians, pedi licença que já tava na hora de eu descer, ele continuo sentado no banco que fica antes da porta.
Enquanto eu estava em pé esperando o ponto pra descer, eu olhava pra baixo e via a nuca do meliante completamente exposta. Eu pensando em diversas maneiras de matar o filho da puta ali mesmo. Se eu tivesse pelo menos a porra de um cortador de unha no bolso, eu juro que teria enfiado nos pescoço do cara sem dar chance de reação pra ele.
Após descer, ficava passando na minha mente a cena de eu conseguindo matar o cara. Me enxergava com uma faca, me enxergava com um PT estourando a nuca dela, pensava em tudo. Se alguém viesse falar em direitos humanos e com esta defesa de bandido eu empurrava na frente do busão na hora.
O dinheiro foi o de menos, fodam-se 10 conto. O problema é a sensação terrível de medo, de insegurança, de submissão, de injustiça, etc. A sensação de saber que a qualquer momento, basta uma pessoa querer e ela pode fazer o que quiser com você é horrível. Você se sente um nada. Um merda.
E cruel também é a coincidência. 3 dias após eu comprar um produto roubado, eu sou assaltado. Eu levantei a questão do Karma no post anterior tirando um sarro, mas o acontecimento de hoje fez o jovem cético aqui questionar um pouco algumas coisas…
A única coisa que eu quero agora, é pegar o filme Carandiru e avançar direto pra parte dos policiais antes de invadirem o presídio, batendo nos escudos e gritando: “Choque! Choque! Choque!”
Tags: arte, trabalho



